Vaidade de Vaidades — A Meditação Filosófica sobre o Sentido da Existência
"Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades! Tudo é vaidade."
— Eclesiastes 1:2
O Livro de Eclesiastes é o mais filosófico e desconcertante de toda a Bíblia. Seu autor — chamado de Qohelet (o Pregador ou o Reunidor) — empreende uma investigação radical sobre o sentido da existência humana "debaixo do sol". Sua conclusão inicial — "Vaidade de vaidades! Tudo é vaidade!" — parece niilista, mas é na verdade o ponto de partida de uma busca profunda por sabedoria genuína.
A palavra hebraica hebel (vaidade) significa literalmente "vapor", "sopro", "névoa" — algo que existe por um momento e desaparece. O Pregador observa que tudo o que os seres humanos perseguem "debaixo do sol" — riqueza, prazer, sabedoria, trabalho, fama — é efêmero como o vapor. Esta observação não é pessimismo; é realismo. E é o ponto de partida para descobrir o que tem valor verdadeiro e duradouro.
O livro é atribuído a Salomão pela tradição, embora não o nomeie explicitamente. Sua linguagem e estilo sugerem uma composição posterior ao reinado de Salomão, possivelmente no período pós-exílico. O livro termina com uma conclusão surpreendentemente simples e profunda: "Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem."