O Cântico dos Três Jovens, a Oração de Azarias, Susana, Bel e o Dragão, e os acréscimos gregos ao livro de Ester.
Bendizei, todas as obras do Senhor, ao Senhor; louvai-o e exaltai-o para sempre. — Cântico dos Três Jovens
Os 'acréscimos' deuterocanônicos são passagens presentes na Septuaginta (LXX) mas ausentes do texto hebraico/aramaico dos livros de Ester e Daniel. Eles foram incluídos nas Bíblias católicas e ortodoxas como parte canônica destes livros, mas aparecem separados nas Bíblias protestantes (quando incluídos) como apócrifos.
Estes acréscimos são de grande valor literário e teológico. Eles aprofundam a dimensão religiosa de narrativas que, em sua versão hebraica, raramente mencionam Deus explicitamente (como Ester) ou acrescentam episódios dramáticos que enriquecem a narrativa (como os acréscimos a Daniel).
O livro de Ester em hebraico é famoso por não mencionar o nome de Deus em nenhum momento. Os acréscimos gregos corrigem esta 'lacuna' adicionando orações explícitas de Mardoqueu e Ester, cartas do rei Assuero, e uma descrição vívida de Ester diante do rei. Estes acréscimos transformam a narrativa de uma história de sobrevivência política em uma história de fé e providência divina explícita.
Entre os versículos 23 e 24 do capítulo 3 de Daniel (a história da fornalha ardente), a Septuaginta insere um longo acréscimo: a Oração de Azarias e o Cântico dos Três Jovens. A Oração de Azarias é uma confissão de pecados e clamor por libertação. O Cântico dos Três Jovens (Benedicite) é um hino de louvor que convida toda a criação a bendizer a Deus — e tornou-se um dos hinos mais usados na liturgia cristã.
A história de Susana é uma narrativa de justiça e providência: uma mulher virtuosa é falsamente acusada de adultério por dois anciãos que ela rejeitou. Ela é condenada à morte, mas o jovem Daniel intervém, interroga os acusadores separadamente, expõe sua mentira, e salva Susana. É uma história sobre a proteção de Deus aos inocentes e sobre a coragem de falar a verdade.
Dois episódios que mostram Daniel desmascarando a idolatria: em 'Bel', Daniel prova que a estátua do deus Bel não come os alimentos oferecidos (são os sacerdotes que os consomem secretamente). Em 'O Dragão', Daniel mata um dragão adorado pelos babilônios usando bolos de alcatrão, gordura e cabelo. Estes episódios são sátiras da idolatria — semelhantes em espírito a Isaías 44 e Jeremias 10.
O Cântico dos Três Jovens (Benedicite) tornou-se parte da liturgia cristã desde os primeiros séculos. A história de Susana influenciou a teologia do testemunho e da justiça. Os acréscimos a Ester aprofundam a teologia da providência e da oração que o NT desenvolve. Estes textos mostram como o judaísmo do período intertestamentário estava desenvolvendo e aprofundando temas teológicos que o NT herdaria e completaria.