As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo.
— Gaudium et Spes, §1 — Concílio Vaticano II (1965)
O Segundo Concílio do Vaticano (1962–1965) foi o maior Concílio da história da Igreja e um dos eventos mais importantes do século XX. Convocado pelo Papa João XXIII com a palavra de ordem aggiornamento ("atualização"), reuniu cerca de 2.500 bispos de todo o mundo em quatro sessões ao longo de três anos. Produziu 16 documentos — quatro constituições, nove decretos e três declarações — que transformaram a Igreja Católica de maneira profunda e duradoura.
João XXIII surpreendeu o mundo ao convocar o Concílio em 1959 — apenas três meses após sua eleição. Ele era um Papa idoso (77 anos) que muitos esperavam que fosse um "papa de transição." Em vez disso, ele lançou a maior renovação da Igreja Católica desde Trento. Sua visão era a de uma Igreja que se abrisse ao mundo moderno não para capitular a ele, mas para dialogar com ele — para encontrar "os sinais dos tempos" e responder ao Evangelho às necessidades do mundo contemporâneo.
O decreto Unitatis Redintegratio sobre o ecumenismo foi uma revolução na posição católica em relação às outras igrejas cristãs. Antes do Vaticano II, a posição oficial era que as igrejas separadas de Roma eram simplesmente "seitas" sem salvação. Após o Vaticano II, a Igreja reconheceu que as comunidades cristãs separadas "não estão de modo algum desprovidas de significado e de importância no mistério da salvação" e que há "elementos de santificação e de verdade" fora dos limites visíveis da Igreja Católica.
A declaração Dignitatis Humanae sobre a liberdade religiosa foi talvez a mais controversa do Vaticano II. Ela afirmou que toda pessoa tem o direito de seguir sua consciência em matéria religiosa e que o Estado não pode coagir ninguém em questões de fé. Esta declaração foi uma reversão da posição tradicional da Igreja, que havia defendido a confessionalidade do Estado católico. Ela foi atacada pelos tradicionalistas como contradição da tradição e celebrada pelos progressistas como reconhecimento tardio de um direito humano fundamental.
O Vaticano II é frequentemente ignorado ou mal compreendido pelos cristãos evangélicos. Mas ele contém afirmações que deveriam interessar a qualquer cristão comprometido com as Escrituras: a centralidade da Palavra de Deus na vida da Igreja, a importância da participação ativa dos fiéis na liturgia, o reconhecimento da dignidade de todas as pessoas criadas à imagem de Deus, o compromisso com a paz e a justiça social. O Vaticano II não resolveu todas as diferenças entre católicos e protestantes — mas abriu um espaço de diálogo que não existia antes. Para o cristão evangélico, estudar o Vaticano II é entender melhor o maior parceiro de diálogo ecumênico do mundo.