Não há compulsão na religião. O caminho reto se distingue claramente do erro.
— Alcorão, Surata 2:256 — frequentemente citado no diálogo islamo-cristão
O Islamismo e o Cristianismo são as duas maiores religiões do mundo, com 1,9 bilhão e 2,4 bilhões de seguidores respectivamente. Elas compartilham raízes abraâmicas comuns — ambas veneram Abraão, Moisés e os profetas do AT; ambas reconhecem Jesus como profeta (o Islã) ou como Senhor e Salvador (o Cristianismo). Mas suas diferenças são fundamentais: o Islã nega a Trindade, a divindade de Cristo e a crucificação como evento salvífico. Para o Islã, o Alcorão é a revelação final e definitiva de Deus, que corrige as distorções dos textos judaicos e cristãos.
A história das relações entre o Islamismo e o Cristianismo é uma história de encontro, conflito e coexistência — às vezes simultâneos. Houve séculos de guerra (as Cruzadas, a Reconquista, as conquistas otomanas) e séculos de coexistência pacífica e fecunda (a Espanha muçulmana, o Império Otomano em seus melhores momentos). A relação atual é marcada pela memória histórica de ambos os lados e pelos desafios do fundamentalismo contemporâneo.
Apesar da história de conflitos, há uma tradição significativa de diálogo islamo-cristão. O documento Uma Palavra Comum entre Nós e Vós (2007), assinado por 138 líderes muçulmanos de todo o mundo, propôs como base para o diálogo os dois grandes mandamentos: o amor a Deus e o amor ao próximo. O Papa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram em 2019 o Documento sobre a Fraternidade Humana em Abu Dhabi — um apelo conjunto à paz, à coexistência e à rejeição da violência em nome de Deus.
O diálogo islamo-cristão enfrenta desafios teológicos reais: a natureza de Jesus (Filho de Deus para os cristãos, profeta para os muçulmanos), a Trindade (rejeitada pelo Islã como politeísmo), a crucificação (negada pelo Alcorão), a autoridade das Escrituras (o Alcorão afirma que a Bíblia foi corrompida). Estas diferenças não podem ser minimizadas em nome de uma unidade superficial. Mas o diálogo honesto que reconhece as diferenças enquanto busca a cooperação em questões de interesse comum — paz, justiça, cuidado dos pobres — é possível e necessário.
Jesus mandou amar os inimigos e orar pelos que nos perseguem (Mt 5:44). Esta instrução não é fácil de aplicar quando cristãos são perseguidos por muçulmanos — mas é o coração do Evangelho. O amor cristão pelos muçulmanos não é ingenuidade que ignora o perigo real do fundamentalismo islâmico; é a disposição de ver em cada muçulmano um ser humano criado à imagem de Deus, amado por Cristo, e para quem o Evangelho é boa notícia.
A missão cristã entre muçulmanos é um dos campos mais desafiadores e mais frutíferos do século XXI. Milhares de muçulmanos estão se convertendo ao Cristianismo em todo o mundo — muitos através de sonhos e visões de Jesus, como documentado por pesquisadores e missionários. A Igreja é chamada a receber estes novos crentes com amor, a acompanhá-los no discipulado e a interceder pelos muçulmanos que ainda não conhecem Cristo.