A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, o espírito de condições sem espírito. É o ópio do povo.
— Karl Marx, Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, 1844
O secularismo é, em sua forma mais básica, a separação entre religião e Estado — a ideia de que o governo civil não deve ser governado por princípios religiosos e que as instituições religiosas não devem exercer poder político. Em sua forma mais ampla, é uma visão de mundo que afirma que a realidade pode ser adequadamente compreendida e gerida sem referência ao sobrenatural ou ao divino.
É fundamental distinguir entre o secularismo como arranjo político (a laicidade do Estado) e o secularismo como ideologia (a afirmação de que a religião é falsa, irrelevante ou prejudicial). O primeiro é compatível com uma sociedade profundamente religiosa — os Estados Unidos são um exemplo de Estado laico com alta religiosidade popular. O segundo é uma posição filosófica que compete com a fé religiosa. Muitos cristãos apoiam a laicidade do Estado enquanto rejeitam o secularismo como ideologia.
O debate sobre o papel da religião na esfera pública é um dos mais importantes da democracia contemporânea. Há duas posições extremas: (1) o secularismo estrito, que exige que os cidadãos deixem suas convicções religiosas fora do debate público e usem apenas argumentos "neutros" e racionais; e (2) o teocracionismo, que busca impor a lei religiosa como lei civil. Entre estes extremos, há um espectro de posições que reconhecem tanto a legitimidade da voz religiosa no debate público quanto os limites da imposição religiosa em uma sociedade pluralista.
O filósofo Jürgen Habermas, um dos mais importantes defensores do secularismo, reconheceu que as tradições religiosas carregam "potenciais semânticos" — recursos morais e espirituais — que a razão secular não pode substituir. Ele argumenta que uma democracia saudável precisa da contribuição das tradições religiosas, desde que elas traduzam suas convicções em linguagem acessível a todos os cidadãos. Esta posição — o "secularismo pós-secular" — é uma abertura significativa ao diálogo entre fé e razão.
O desafio do secularismo para a Igreja não é primariamente político — é espiritual. A questão não é apenas "como a Igreja deve se relacionar com o Estado secular?", mas "como os cristãos podem viver uma fé autêntica em uma cultura que trata a religião como irrelevante ou privada?" A resposta não é a nostalgia de uma cristandade que não existe mais, nem a capitulação ao secularismo que dissolve a fé em valores culturais. É a construção de comunidades de discipulado que demonstrem, pela qualidade de sua vida comum, que o Evangelho é a boa notícia que o mundo secular precisa ouvir.
O apóstolo Pedro escreveu a cristãos que viviam como "estrangeiros e peregrinos" em uma cultura hostil (1 Pe 2:11). Esta é a condição permanente da Igreja — não apenas no mundo secular moderno, mas em qualquer cultura que não seja o Reino de Deus. A resposta de Pedro não é o isolamento nem a capitulação, mas o testemunho: "mantendo boa conduta entre os gentios, para que, naquilo em que falam contra vós como malfeitores, observando as vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação" (1 Pe 2:12).