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365 Graça & Adoração Da Criação ao Apocalipse
👑 2 Crônicas

Capítulo 2

Os preparativos para a construção do templo: a aliança com Hirão e o trabalho sagrado

Texto Bíblico (ACF) — 2 Crônicas 2

1 E determinou Salomão edificar uma casa ao nome do Senhor, e uma casa para o seu reino.

2 E contou Salomão setenta mil homens para levar cargas, e oitenta mil para lavrar pedras no monte, e três mil e seiscentos para superintender sobre eles.

3 E mandou Salomão dizer a Hirão, rei de Tiro: Como fizeste com Davi, meu pai, e lhe enviaste cedros para edificar uma casa em que habitasse, assim faze comigo.

4 Eis que edificarei uma casa ao nome do Senhor meu Deus, para lha consagrar, para queimar diante dele incenso aromático, e para o pão da proposição contínuo, e para os holocaustos da manhã e da tarde, nos sábados, e nas luas novas, e nas solenidades do Senhor nosso Deus; o que é para sempre em Israel.

5 E a casa que edifico é grande; porque o nosso Deus é maior do que todos os deuses.

6 Mas quem será capaz de lhe edificar casa, pois que os céus e os céus dos céus não o podem conter? E quem sou eu para lhe edificar uma casa, senão somente para queimar incenso perante ele?

7 Manda-me, pois, agora um homem hábil para trabalhar em ouro, e em prata, e em bronze, e em ferro, e em púrpura, e em carmesim, e em azul, e que saiba gravar com os hábeis que estão comigo em Judá e em Jerusalém, que Davi, meu pai, preparou.

8 Manda-me também madeira de cedro, de cipreste e de sândalo do Líbano; porque eu sei que os teus servos sabem cortar madeira no Líbano; e eis que os meus servos estarão com os teus servos,

9 Para me prepararem muita madeira; porque a casa que edifico é grande e maravilhosa.

10 E eis que darei aos teus servos, aos cortadores que cortam a madeira, vinte mil coros de trigo trilhado, e vinte mil coros de cevada, e vinte mil batos de vinho, e vinte mil batos de azeite.

11 Então Hirão, rei de Tiro, respondeu por escrito, e enviou a Salomão: Porquanto o Senhor amou o seu povo, te fez rei sobre eles.

12 Disse mais Hirão: Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que fez os céus e a terra, que deu ao rei Davi um filho sábio, dotado de entendimento e de inteligência, que edificará uma casa ao Senhor, e uma casa para o seu reino.

13 Agora, pois, enviei um homem hábil, dotado de entendimento, Hirão-Abi,

14 Filho de uma mulher das filhas de Dã, e cujo pai era homem de Tiro; sabe trabalhar em ouro, e em prata, em bronze, em ferro, em pedras e em madeira, em púrpura, em azul, e em linho fino, e em carmesim; e sabe fazer toda a sorte de gravuras, e inventar toda a sorte de invenções que se lhe derem a fazer, com os teus hábeis e com os hábeis do meu senhor Davi, teu pai.

15 Agora, pois, o trigo, e a cevada, o azeite e o vinho, de que falou o meu senhor, mande-os aos seus servos.

16 E nós cortaremos no Líbano tanta madeira quanta precisares, e ta traremos em jangadas pelo mar até Jope; e tu a farás subir a Jerusalém.

17 E contou Salomão todos os homens estrangeiros que estavam na terra de Israel, depois da contagem que Davi, seu pai, havia feito; e acharam-se cento e cinquenta e três mil e seiscentos.

18 E fez deles setenta mil carregadores, e oitenta mil lavradores de pedra no monte, e três mil e seiscentos superintendentes para fazer trabalhar o povo.

Contexto Histórico e Geográfico

O capítulo 2 de 2 Crônicas nos transporta para um momento crucial na história de Israel, o auge do Reino Unido sob o reinado de Salomão, filho e sucessor de Davi. Este período, que se estende aproximadamente de 1010 a 931 a.C., representa uma era de prosperidade, expansão territorial e, acima de tudo, o estabelecimento de Jerusalém como o centro político e religioso da nação. Após a consolidação do reino por Davi, que unificou as tribos de Israel e Judá, Salomão herda um império estável e rico, pronto para embarcar em projetos grandiosos. A construção do Templo de Jerusalém, o foco principal deste capítulo e de grande parte dos livros de Reis e Crônicas, não era apenas um empreendimento arquitetônico, mas um ato de profunda significado teológico e político, que solidificaria a presença divina entre seu povo e legitimaria a dinastia davídica. O cronista, ao narrar esses eventos, busca enfatizar a continuidade da promessa divina a Davi e a centralidade do Templo como o lugar da habitação de Deus.

Geograficamente, o capítulo 2 de 2 Crônicas nos apresenta a interação entre duas regiões distintas, mas intrinsecamente ligadas por rotas comerciais e alianças políticas: o Reino de Israel, centrado em Jerusalém, e o Reino de Tiro, uma poderosa cidade-estado fenícia localizada na costa do Mediterrâneo. Jerusalém, situada nas montanhas da Judeia, a cerca de 750 metros acima do nível do mar, era a capital política e religiosa. Sua localização estratégica a tornava um centro de poder, mas também dependente de recursos externos para projetos de grande escala, como a construção do Templo. Tiro, por outro lado, era um império marítimo, famoso por suas habilidades em navegação, comércio e, crucialmente para este contexto, por sua expertise na extração e processação de cedro e cipreste, madeiras de alta qualidade provenientes das florestas do Líbano. A interação entre essas duas potências, uma terrestre e outra marítima, demonstra uma rede complexa de relações internacionais que caracterizava a região do Levante na Idade do Ferro.

O contexto arqueológico e cultural do período salomônico é rico e complexo. Embora a arqueologia não tenha fornecido evidências diretas do Templo de Salomão, pois a área do Monte do Templo tem sido continuamente ocupada e reconstruída ao longo dos milênios, descobertas em outros locais do Levante oferecem um vislumbre do estilo arquitetônico e das práticas construtivas da época. A arquitetura fenícia, conhecida por sua sofisticação e uso de materiais nobres, como a madeira de cedro e o marfim, influenciou significativamente as construções em Israel. A descrição do Templo no texto bíblico, com seus três ambientes (Átrio Exterior, Santo Lugar e Santo dos Santos), pilares decorados e uso extensivo de ouro e pedras preciosas, reflete um estilo de construção que era comum em templos e palácios reais na região. Além disso, a menção de trabalhadores especializados, como artesãos em metais, pedreiros e cortadores de madeira, aponta para uma divisão do trabalho e uma especialização profissional que eram características das sociedades urbanas avançadas da Idade do Ferro.

A situação política e religiosa de Israel/Judá no reinado de Salomão era de relativa estabilidade e centralização. Davi havia unificado as tribos e estabelecido Jerusalém como capital, e Salomão consolidou esse poder. Politicamente, Salomão mantinha relações diplomáticas com reinos vizinhos, como Tiro, através de tratados e alianças matrimoniais, garantindo a segurança e o fluxo de bens e conhecimentos. Religiosamente, o período é marcado pela transição de um sistema de culto mais descentralizado, com múltiplos santuários e altares, para a centralização do culto em Jerusalém, no Templo. A construção do Templo era, portanto, um ato de unificação religiosa, que visava a estabelecer um único lugar legítimo para o culto a Yahweh, reforçando a identidade nacional e a teologia monoteísta. No entanto, a grandiosidade da corte de Salomão e a influência de culturas estrangeiras também trariam desafios religiosos, como a introdução de cultos pagãos, que seriam uma fonte de conflito em reinados posteriores.

As conexões com fontes históricas extrabíblicas são cruciais para contextualizar o relato de 2 Crônicas 2. Embora não haja menções diretas de Salomão ou do Templo em inscrições fenícias da época, a existência de um reino de Tiro poderoso e a prática de alianças entre reinos do Levante são bem atestadas. O rei Hirão I de Tiro, mencionado no capítulo, é conhecido por fontes fenícias como um construtor e um monarca que expandiu o poder de Tiro. O historiador judeu Josefo, em sua obra "Antiguidades Judaicas", menciona a correspondência entre Salomão e Hirão, citando também historiadores fenícios como Menandro de Éfeso, que confirmam a troca de presentes e a colaboração em projetos de construção. Essas fontes extrabíblicas, embora não sejam provas irrefutáveis do relato bíblico, fornecem um pano de fundo plausível para as interações descritas em 2 Crônicas, confirmando o contexto geopolítico e as práticas diplomáticas da época.

A importância teológica do capítulo 2 de 2 Crônicas dentro do livro é imensa. O cronista, ao detalhar os preparativos para a construção do Templo, enfatiza a soberania de Deus e a obediência de Salomão à vontade divina. A iniciativa de construir uma "casa para o nome do Senhor" não é apenas um projeto humano, mas a concretização de uma promessa feita a Davi. A aliança com Hirão e o trabalho árduo dos artesãos são apresentados como parte de um plano divino maior, onde Deus provê os recursos e as habilidades necessárias para a realização de sua obra. O Templo é retratado como o lugar da habitação de Deus na terra, um símbolo da presença divina e da aliança com Israel. A ênfase na magnificência e na riqueza dos materiais reflete a glória de Deus e a importância do culto a Ele. Além disso, a interdependência entre Israel e Tiro, com a troca de recursos e conhecimentos, pode ser interpretada teologicamente como a providência divina agindo através das nações para cumprir Seus propósitos, preparando o cenário para a manifestação de Sua glória em Jerusalém.

Mapa das Localidades — 2 Crônicas Capítulo 2

Mapa — 2 Crônicas Capítulo 2

Mapa das localidades mencionadas em 2 Crônicas capítulo 2.

Dissertação Teológica — 2 Crônicas 2

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A Soberania Divina na Preparação: Salomão e a Visão do Templo

O capítulo 2 de 2 Crônicas, embora aparentemente focado em detalhes logísticos e diplomáticos, emerge como um testemunho vibrante da soberania divina que precede e permeia toda a obra humana, especialmente aquela dedicada ao culto e à glória de Deus. Salomão, herdeiro do trono de Davi, não inicia a construção do Templo de Jerusalém por um capricho pessoal ou por uma ambição meramente arquitetônica. Sua motivação é profundamente teológica, enraizada na promessa feita a seu pai e na compreensão de que a "casa" a ser edificada não era para um homem, mas para o Senhor, o Deus de Israel, cuja grandeza transcende qualquer edificação terrena. A formulação inicial, "Salomão, pois, resolveu edificar uma casa ao nome do Senhor e uma casa para o seu reino" (2 Cr 2:1), não sugere uma dualidade de propósitos, mas sim uma interconexão intrínseca: o reino de Israel encontrava sua legitimação e prosperidade na centralidade do culto ao Deus que o estabeleceu. Esta perspectiva ecoa a teologia da aliança presente em todo o Antigo Testamento, onde a presença de Deus no meio de seu povo é a garantia de sua existência e bem-estar, conforme prometido em Gênesis 12:1-3 e reiterado em Êxodo 25:8.

A grandiosidade do projeto não era um reflexo da opulência de Salomão, mas uma tentativa de honrar a magnificência do Deus a quem o Templo seria dedicado. A declaração de Salomão, "A casa que edifico será grande, porque o nosso Deus é maior do que todos os deuses" (2 Cr 2:5), é uma confissão teológica profunda. Ela não apenas eleva o Deus de Israel acima de todas as divindades pagãs, mas também estabelece um padrão para a adoração: o culto a Deus deve ser realizado com excelência e reverência, refletindo a sua própria majestade. Esta compreensão da singularidade e transcendência de Deus é um tema recorrente na Escritura, desde as proclamações de Moisés em Deuteronômio 6:4 até as visões proféticas de Isaías 40:18-26, que questionam a capacidade humana de aprisionar a divindade em qualquer estrutura. O Templo, portanto, não era um fim em si mesmo, mas um meio, um ponto focal que apontava para a realidade invisível de um Deus onipresente, mas que escolheu habitar simbolicamente entre o seu povo.

A consciência da transcendência divina por parte de Salomão é ainda mais acentuada em sua pergunta retórica: "Mas quem seria capaz de lhe edificar casa, visto que os céus e os céus dos céus não o podem conter?" (2 Cr 2:6a). Esta percepção, que encontra eco na sua oração dedicatória do Templo (1 Reis 8:27), é crucial para a teologia do Templo. Ela evita qualquer noção de que Deus estaria limitado por uma estrutura física. Pelo contrário, o Templo servia como um "lugar para o seu nome", um ponto de encontro onde a glória de Deus se manifestava de forma especial, permitindo que o povo se aproximasse dele em adoração e sacrifício. Essa ideia de um lugar para o "nome" de Deus é uma metonímia hebraica para a sua própria presença e caráter, como visto em Deuteronômio 12:5, onde Deus escolhe um lugar "para fazer habitar o seu nome". Para o cristão contemporâneo, esta compreensão da transcendência divina é um lembrete vital de que, embora Deus nos encontre em templos físicos ou em reuniões congregacionais, Ele não está confinado a eles. A verdadeira adoração é em "espírito e em verdade" (João 4:24), e o crente, como "templo do Espírito Santo" (1 Coríntios 6:19), é o lugar onde Deus escolheu habitar de forma mais íntima e pessoal no Novo Pacto.

A visão de Salomão para o Templo não era apenas de grandiosidade, mas também de propósito. Ele buscava um lugar para oferecer sacrifícios e incenso, para a apresentação dos pães da proposição e para os holocaustos matutinos e vespertinos, bem como para as festas solenes de Israel (2 Cr 2:4). Esta enumeração detalhada das funções do Templo demonstra uma adesão estrita às leis mosaicas e à ordem litúrgica estabelecida. O Templo seria o centro da vida religiosa e nacional de Israel, o ponto de convergência para o cumprimento das ordenanças divinas. A referência aos "holocaustos matutinos e vespertinos" remete diretamente à lei em Êxodo 29:38-42 e Números 28:3-8, que estabelecia a regularidade dos sacrifícios diários como um símbolo da contínua dependência de Israel de Deus e da necessidade de expiação. Esta fidelidade à lei e à tradição é um modelo para a igreja hoje, que, embora sob uma nova aliança, deve buscar a fidelidade aos princípios eternos da Palavra de Deus em sua adoração e serviço. A aplicação prática reside na importância de uma adoração intencional, ordenada e fundamentada na Escritura, que honre a Deus em todas as suas manifestações, desde a liturgia formal até a vida diária do crente.

A Diplomacia Divinamente Orquestrada: A Aliança com Hirão

A busca de Salomão por materiais e mão de obra especializados para a construção do Templo revela uma dependência de recursos externos e, mais significativamente, uma orquestração divina que transcende as fronteiras de Israel. A decisão de Salomão de enviar uma mensagem a Hirão, rei de Tiro, não era meramente uma jogada política ou econômica astuta, mas uma ação permeada pela consciência da providência divina. Salomão reconhece que Hirão não era um mero vizinho, mas um aliado de seu pai Davi, um relacionamento que já havia sido estabelecido e abençoado por Deus (2 Sm 5:11). A referência à "amizade contínua" entre Davi e Hirão (2 Cr 2:3) sublinha a base histórica e a confiança mútua que já existiam, preparando o terreno para a colaboração em um projeto de tamanha magnitude. Esta interação entre Israel e Tiro, um reino gentio, prefigura a universalidade do plano de salvação de Deus, que se estende além das fronteiras de Israel para incluir todas as nações, conforme vislumbrado pelos profetas (Isaías 49:6) e plenamente revelado no Novo Testamento (Atos 10:34-35).

A resposta de Hirão à solicitação de Salomão é notável por sua efusividade e, crucialmente, por sua referência ao "Senhor, o Deus de Israel", a quem ele "abençoa" (2 Cr 2:11). Esta declaração não pode ser descartada como mera formalidade diplomática. Embora Hirão não fosse um adorador do Deus de Israel no sentido estrito, sua admiração e reconhecimento da soberania divina sobre a prosperidade de Israel e a sabedoria de seus reis são evidentes. Ele atribui a elevação de Salomão ao trono à "paixão do Senhor pelo seu povo" (2 Cr 2:11), uma teologia que ressoa com a própria compreensão de Israel sobre a eleição divina. A sabedoria concedida a Salomão, que é mencionada por Hirão (2 Cr 2:12), era um dom de Deus (1 Reis 3:12), e Hirão a reconhece como tal. Esta perspectiva de um rei gentio reconhecendo a mão de Deus em assuntos de Israel é uma poderosa demonstração de que a glória de Deus não está confinada aos limites de um único povo, mas se manifesta de maneiras que podem ser discernidas até mesmo por aqueles de fora da aliança formal. Isso nos lembra da verdade de Romanos 1:19-20, que a criação revela a glória e o poder de Deus a todos os homens.

A colaboração entre Salomão e Hirão é um exemplo prático de como Deus pode usar diferentes povos, com diferentes culturas e habilidades, para a realização de seus propósitos. Hirão oferece não apenas madeira de cedro e cipreste do Líbano, materiais de altíssima qualidade e escassos em Israel, mas também a expertise de artesãos fenícios, renomados por sua habilidade em trabalhar metais, tecidos e pedras (2 Cr 2:7, 13-14). A descrição detalhada das habilidades do mestre artesão, Hirão-Abi, que era "filho de uma mulher das filhas de Dã, e seu pai era homem de Tiro", e que tinha "habilidade para trabalhar em ouro, em prata, em bronze, em ferro, em pedra, em madeira, em púrpura, em azul, em linho fino e em carmesim" (2 Cr 2:14), destaca a importância da diversidade de dons e talentos. Esta diversidade é um princípio fundamental para a construção do reino de Deus, como ensinado por Paulo em 1 Coríntios 12, onde cada membro do corpo de Cristo, com seus dons únicos, contribui para o bem comum e para a edificação da igreja. A aplicação prática para o cristão contemporâneo é o reconhecimento e a valorização dos dons uns dos outros, buscando a colaboração em vez da competição, e entendendo que Deus usa uma miríade de talentos para cumprir Sua vontade, tanto dentro quanto fora da comunidade de fé.

A aliança com Hirão não era apenas para a aquisição de materiais, mas também para o estabelecimento de um sistema de trocas econômicas. Salomão se compromete a fornecer a Hirão trigo e cevada, vinho e azeite (2 Cr 2:10), elementos essenciais para a subsistência de Tiro, um reino costeiro que dependia fortemente do comércio. Esta reciprocidade econômica demonstra uma relação de benefício mútuo, onde cada parte contribuía com o que tinha em abundância para suprir a necessidade do outro. Esta é uma imagem da interdependência que Deus intencionou para a humanidade, onde a cooperação e o compartilhamento de recursos são fundamentais para o florescimento da sociedade. No contexto da construção do Templo, esta aliança econômica reflete a ideia de que a obra de Deus não é realizada no vácuo, mas através de interações humanas e de recursos materiais, todos sob o controle soberano de Deus. Para a igreja hoje, isso significa que a missão de Deus muitas vezes exige parcerias estratégicas, tanto com outros ministérios quanto com organizações seculares, sempre com a sabedoria e a direção divinas, e com a integridade que reflete o caráter de Cristo.

O Trabalho Sagrado: Dedicação e Esforço Humano no Plano Divino

O capítulo 2 de 2 Crônicas não apenas detalha a visão de Salomão e a aliança com Hirão, mas também sublinha a imensa escala do trabalho humano envolvido na construção do Templo, um trabalho que, embora físico e árduo, era intrinsecamente sagrado. Salomão mobiliza um grande contingente de trabalhadores de todo o Israel, mas também emprega estrangeiros que viviam na terra. A contagem de 153.600 estrangeiros como "carregadores" e "cortadores de pedras" (2 Cr 2:2, 17-18) é um testemunho da magnitude do projeto e da organização meticulosa necessária. É importante notar que esses estrangeiros não foram apenas "escravizados" no sentido punitivo, mas empregados, muitos deles descendentes dos cananeus que Davi havia subjugado, como mencionado em 1 Reis 9:20-21. Essa mão de obra estrangeira, trabalhando ao lado de israelitas, demonstra que o serviço a Deus pode envolver pessoas de diferentes origens e etnias, cada uma contribuindo com sua força e habilidade para um propósito comum. Este princípio de inclusão e diversidade de serviço ecoa a visão profética de uma adoração universal, onde "todas as nações virão e adorarão diante de ti, Senhor" (Apocalipse 15:4).

A organização do trabalho era altamente estruturada, com 3.600 capatazes para supervisionar os trabalhadores (2 Cr 2:18). Essa estrutura hierárquica e a divisão de tarefas eram essenciais para a eficiência de um projeto tão complexo. A obra do Templo, embora divinamente inspirada, dependia da disciplina, do planejamento e da execução humana. Isso reflete um princípio bíblico fundamental: Deus usa os meios humanos para realizar seus propósitos divinos. Ele não simplesmente "cria" o Templo do nada, mas convoca homens e mulheres para dedicarem seu tempo, energia e talento à sua construção. O trabalho, em sua essência, é uma vocação divina, como visto em Gênesis 2:15, onde Adão é colocado no jardim para "cultivá-lo e guardá-lo". O trabalho para a edificação do Templo, portanto, não era uma maldição, mas uma oportunidade de participar ativamente na glória de Deus, transformando o esforço mundano em um ato de adoração. Para o cristão contemporâneo, isso significa que todo trabalho honesto e realizado com excelência, seja ele secular ou ministerial, pode ser uma forma de servir a Deus e glorificá-Lo (Colossenses 3:23-24).

A descrição dos materiais e das habilidades necessárias para a construção do Templo ressalta a dedicação e o cuidado que foram investidos na obra. A madeira de cedro e cipreste, as pedras lavradas, o ouro, a prata, o bronze, o ferro, a púrpura, o azul, o linho fino e o carmesim (2 Cr 2:7, 14) não eram meros recursos, mas representavam a riqueza e a beleza que seriam dedicadas a Deus. A excelência dos materiais e da mão de obra não era um luxo desnecessário, mas uma expressão de reverência e honra ao Senhor. Salomão não poupou despesas nem esforços, pois entendia que a casa de Deus deveria refletir a sua glória. Esta atitude de oferecer o melhor a Deus é um tema recorrente na Escritura, desde as ofertas de Abel em Gênesis 4:4 até o mandamento de amar a Deus com "todo o coração, alma, mente e força" em Marcos 12:30. A aplicação prática é que, em nosso serviço a Deus, devemos buscar a excelência em tudo o que fazemos, seja na pregação, no louvor, na hospitalidade ou em qualquer outra área de ministério. A mediocridade não deve ter lugar na obra do Senhor, pois Ele é digno do nosso melhor.

O trabalho sagrado do Templo não era apenas sobre a construção física, mas sobre a formação de uma comunidade dedicada à adoração. A mobilização de tantos trabalhadores, a aliança com um rei gentio e a coordenação de recursos de diferentes lugares apontam para um propósito maior: a criação de um espaço onde Deus pudesse ser encontrado e adorado por seu povo. Este empreendimento colaborativo, que exigia paciência, perseverança e sacrifício, serve como um poderoso lembrete de que a edificação do reino de Deus na terra é uma tarefa contínua que exige a participação de todos os crentes. Assim como os israelitas e os estrangeiros trabalharam lado a lado na construção do Templo, a igreja de hoje é chamada a trabalhar em unidade, usando seus diversos dons e recursos para edificar o corpo de Cristo e proclamar o evangelho ao mundo. A visão de Salomão, de um Templo que seria um "memorial" para o nome de Deus (2 Cr 2:4), nos desafia a viver vidas que sirvam como testemunhos vivos da glória de Deus, dedicando nossos esforços e talentos para a expansão do seu reino, até que Ele retorne.

A Sabedoria Divina na Escolha dos Materiais: Simbolismo e Significado

Os materiais selecionados para a construção do Templo, conforme detalhado em 2 Crônicas 2, não eram meramente escolhas estéticas ou de durabilidade; eles carregavam um profundo simbolismo teológico que ressoava com a história de Israel e a natureza de Deus. A madeira de cedro do Líbano, por exemplo, era altamente valorizada por sua beleza, durabilidade e fragrância, sendo um símbolo de força e majestade. É frequentemente associada à realeza e à glória em outros textos bíblicos, como em Salmos 92:12, onde o justo "florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro do Líbano". O uso abundante de cedro no Templo de Deus, portanto, não era apenas uma indicação de opulência, mas uma declaração visual da majestade e da glória do Deus a quem a casa seria dedicada. A escolha do cedro, em contraste com materiais mais comuns, eleva o Templo a um patamar de santidade e distinção, refletindo a singularidade do Deus de Israel em relação às divindades pagãs. Para o cristão, isso sugere que a adoração a Deus e a edificação do seu reino devem ser caracterizadas por uma qualidade de excelência que reflita a Sua própria majestade, não por ostentação, mas por reverência e dedicação do que há de melhor.

Além do cedro, outros materiais como o ouro, a prata, o bronze e o ferro (2 Cr 2:7, 14) também possuíam significados

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