Aquele que lê muito e compreende muito, esse é o homem culto. Aquele que lê pouco e compreende muito, esse é o homem sábio.
— Agostinho de Hipona
A Patrística (do latim pater — pai) é o estudo dos escritos e do pensamento dos Pais da Igreja — os teólogos e líderes cristãos dos primeiros séculos que desenvolveram a teologia cristã e defenderam a fé contra as heresias. O período patrístico se estende aproximadamente do século I ao século VIII — dos escritos apostólicos até João Damasceno no Oriente e Isidoro de Sevilha no Ocidente. Os Pais da Igreja não são infalíveis — eles erraram em questões individuais — mas representam a tradição teológica mais próxima dos apóstolos e são testemunhas preciosas da fé da Igreja primitiva.
A Patrística é dividida em períodos: os Pais Apostólicos (discípulos diretos dos apóstolos, séc. I–II), os Apologistas (séc. II), os Pais Antenicenos (séc. II–III), os Pais Nicenos (séc. IV) e os Pais Pós-Nicenos (séc. V–VIII). Ela também é dividida geograficamente: os Pais Gregos (Oriente) e os Pais Latinos (Ocidente) — uma divisão que reflete as diferenças culturais e linguísticas que eventualmente contribuiriam para o Cisma de 1054.
Os Pais da Igreja não são autoridades infalíveis — eles erraram em questões individuais e foram condicionados por seu contexto histórico e cultural. Mas eles são testemunhas preciosas da fé da Igreja primitiva — a Igreja mais próxima dos apóstolos. Estudar os Pais é ouvir vozes que beberam diretamente da fonte apostólica e que enfrentaram desafios teológicos que, em formas diferentes, ainda enfrentamos hoje. Calvino chamava os Pais de "testemunhas aprovadas" — não árbitros supremos, mas guias confiáveis na interpretação das Escrituras. Esta é uma posição sábia: nem ignorar os Pais (como faz o fundamentalismo que rejeita toda tradição) nem idolatrá-los (como faz o catolicismo que os equipara à Escritura), mas aprender com eles com discernimento e gratidão.