Vim ver um homem honrado e encontrei mais do que isso.
— Saladino, sobre Ricardo Coração de Leão, segundo os cronistas medievais
A Segunda Cruzada foi convocada pelo Papa Eugênio III após a queda do Condado de Edessa para o atabegue Zengi de Mossul (1144). Foi pregada com eloquência incomparável por Bernardo de Claraval — o monge mais influente da Europa, fundador da Ordem Cisterciense e conselheiro de papas e reis. Bernardo recrutou os dois maiores reis da Europa: Luís VII da França e Conrado III da Alemanha. A expectativa era enorme — e o fracasso foi correspondentemente humilhante.
Os exércitos alemão e francês sofreram pesadas perdas na Anatólia antes mesmo de chegar à Terra Santa. Quando finalmente chegaram, os líderes cruzados tomaram a decisão incompreensível de atacar Damasco — a cidade muçulmana que era aliada dos francos estabelecidos na Terra Santa contra Zengi. O cerco de Damasco (1148) durou apenas quatro dias antes de ser abandonado em circunstâncias humilhantes. A Segunda Cruzada terminou sem nenhuma conquista e com a reputação das Cruzadas seriamente abalada.
A notícia da queda de Jerusalém chocou a Europa. O Papa Gregório VIII morreu de desgosto (segundo a tradição). O Papa Clemente III convocou a Terceira Cruzada, que reuniu os três maiores reis da Europa: Frederico I Barbarossa da Alemanha (que morreu afogado num rio na Anatólia antes de chegar à Terra Santa), Filipe II Augusto da França e Ricardo I "Coração de Leão" da Inglaterra. A rivalidade entre Ricardo e Filipe — aliados e inimigos ao mesmo tempo — marcou toda a Cruzada.
Ricardo I foi o maior guerreiro das Cruzadas — um rei-cavaleiro de coragem extraordinária e talento militar excepcional. Ele reconquistou Acre após um longo cerco (1191), derrotou Saladino na Batalha de Arsuf e avançou até a vista de Jerusalém — mas nunca a atacou. Duas vezes ele chegou perto o suficiente para ver a cidade; duas vezes recuou, reconhecendo que não tinha forças suficientes para tomá-la e mantê-la. O Tratado de Jaffa (setembro de 1192) encerrou a Terceira Cruzada: Saladino manteve Jerusalém, mas garantiu aos cristãos o livre acesso aos Lugares Santos. Ricardo partiu sem ter reconquistado Jerusalém — mas com a reputação de ser o maior guerreiro da cristandade.
Um dos aspectos mais fascinantes da Terceira Cruzada é a admiração mútua entre Ricardo e Saladino — dois homens que nunca se encontraram pessoalmente, mas que trocaram mensageiros, presentes e gestos de cavalheirismo ao longo de toda a campanha. Quando Ricardo adoeceu, Saladino lhe enviou frutas e neve das montanhas para refrescá-lo. Quando o cavalo de Ricardo foi morto em batalha, Saladino lhe enviou dois cavalos de reposição. Esta admiração mútua não impediu que eles se combatessem com toda a ferocidade — mas ela revela que mesmo no contexto da guerra religiosa, a humanidade comum pode criar pontes inesperadas. É uma lição que permanece relevante hoje.